Ativismo pela alimentação saudável nas escolas



Alunos do NESANE participaram do Festival do Conhecimento da UFRJ, que aconteceu em julho de 2021, apresentando um painel temático sobre ativismo social pela alimentação saudável nas escolas. Seguem aqui alguns destaques das discussões.


A apresentação dos alunos teve por objetivo debater sobre alimentação nas escolas e a importância do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) durante a pandemia da COVID-19. Além disso, a apresentação visou mostrar meios de como todos nós podemos nos engajar em prol da alimentação saudável e apoiar campanhas de organizações parceiras, como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) e a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável.


As crianças em idade escolar vivenciam a passagem entre a infância e a adolescência, estágio da vida em que ganham maior maturidade psicomotora, emocional, social e cognitiva. É um período crítico em termos de formação de hábitos, pois as crianças começam a desenvolver maior independência, tomar decisões próprias sobre suas preferências e receber maior influência do seu meio social.


Então é fundamental que a alimentação nessa fase seja saudável e adequada, tanto do ponto de vista da quantidade quanto da qualidade. Preocupa o fato das crianças estarem consumindo frequentemente produtos ultraprocessados e poucos alimentos in natura, o que vai contra ao que recomenda o Guia Alimentar para a População Brasileira.


A preocupação é grave, pois o hábito de consumir alimentos não saudáveis na infância e adolescência pode permanecer na vida adulta e aumentar o risco de obesidade, diabetes, hipertensão, dentre outras doenças. A alimentação das crianças é portanto uma questão de saúde pública. Como a escola é um espaço de plena formação de hábitos, é importante pensarmos sobre a alimentação nas escolas e em aspectos do ambiente escolar que podem influenciar a alimentação.


O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é uma das políticas públicas de maior longevidade no Brasil e um dos maiores programas de alimentação escolar do mundo. O PNAE tem um papel fundamental para a garantia do direito humano à alimentação adequada e da segurança alimentar e nutricional dos mais de 40 milhões de escolares. Porém, em virtude da pandemia e da suspensão das atividades presenciais em toda a rede de ensino do país, o PNAE precisou ser reorganizado.


O PNAE se encontra frente a um dos maiores desafios de sua história para continuar fornecendo alimentação escolar. Em algumas regiões brasileiras, a suspensão das aulas nas escolas públicas significou a interrupção ou a precarização do acesso à alimentação, o que não apenas impacta no orçamento das famílias, mas também prejudica a saúde e o desenvolvimento dos alunos. Algumas estratégias adotadas pelos municípios para, de alguma forma, continuar o PNAE durante a paralisação das aulas são: distribuição de kits de alimentos, refeições prontas e/ou transferência de recursos financeiros para as famílias dos estudantes.


Diante desse cenário, aumenta a importância do ativismo (agir de forma ativa por uma causa) pela alimentação adequada e saudável e garantia do direito à alimentação no Brasil. Um exemplo de ativismo nessa área em nosso país, é a formação da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável. Trata-se de uma organização que reúne sociedade civil, associações e coletivos de todo o Brasil, além de pessoas físicas que defendem o interesse público. A Aliança promove mobilização social e atua principalmente cobrando o poder público para o desenvolvimento de políticas que promovam alimentação saudável. São feitas campanhas de conscientização da população e diversas ações de monitoramento de políticas, agendas de parlamentares e movimentos da indústria de alimentos e grandes corporações.


O NESANE é membro da Aliança. Por meio de atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária, o NESANE age de forma ativa pela alimentação saudável, em especial nas escolas. O NESANE realiza atividades presenciais (fora do contexto de pandemia) e online (em redes sociais e website), compartilhando informações, promovendo e apoiando campanhas de parceiros acerca do tema da alimentação saudável. Exemplos dessas atividades foram estandes montados em espaços públicos de Macaé e Rio das Ostras para conversar com a população e distribuir materiais educativos sobre rotulagem de alimentos; e sobre a quantidade de açúcar presente em refrigerantes.


Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica, v.2, Brasília: Ministério da Saúde, 2014.


IBGE. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018. Análise do consumo alimentar pessoal no Brasil. Rio de Janeiro, 2020.


IBGE. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. Rio de Janeiro: Ministério da Saúde. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2016.


PORTILHO, F. Ativismo alimentar e consumo político – Duas gerações de ativismo alimentar no Brasil. Redes (St. Cruz Sul, Online), v.25, n.2, p. 411-432, maio-agosto, 2020.

10 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo